domingo, 21 de dezembro de 2014

Os ventos da esperança

Quarta-feira tive a ideia de iniciar um blog falando sobre como é ser acompanhante de um portador de esclerose múltipla. Pensei em iniciar o blog na sexta-feira, mas infelizmente por motivo de surto, tive de esperar mais algum tempo. Pois bem, vou explicar o que aconteceu:

Na última quinta-feira, 18, meu companheiro Júlio começou a sentir uma dor na perna, quando chegamos em casa ele não conseguia levantar direito, achamos que era só cansaço. Na sexta-feira ele começou a se sentir pior, dores no corpo todo, mas principalmente na costa no dorso, fazendo com que ele sentisse dificuldade para ficar em pé. Mas, ainda assim conseguimos fazer compras para a janta. 

Achamos que tudo passaria e logo ele ficaria bem, mas infelizmente não foi o que aconteceu. Júlio acordou no sábado queimando em febre, tinha dor de cabeça e fraqueza. Fiquei completamente perturbada, sem noção do que fazer, porque durante a madrugada Júlio teve por duas vezes incontinência urinária. Ao perceber que a febre só piorava fiquei ainda mais preocupada, não sabia se chorava de desespero ou se ria de nervosismo, sim quando estou nervosa tenho ataques de riso. No final das contas, mandei mensagem a quem consegui para pedir ajuda, mas infelizmente ninguém disponível para ajudar. É óbvio que a única coisa que consegui foi me desesperar, observem a situação:
Eu tenho 18 anos e peso 43kg, e meu companheiro 27 e pesa 64kg, além de mais pesado, ele é pelo menos 20 cm mais alto que eu. Ele estava fraco e queimando em febre, e não tínhamos nenhum remédio ou dinheiro para pedir o remédio pelo telefone, para ter dinheiro eu teria de sair e ficar fora por no mínimo 1h30m, então, tive de ficar com ele em casa.

Durante o dia de sábado ele teve muitas e incontáveis vezes incontinência urinária, tive de limpar o chão umas 20 vezes ou mais. Tive de segurá-lo quando ele parecia que iria cair e tive de carregá-lo quando ele precisou sair do banheiro e não conseguia andar e enxergar direito. Tive que ter forças para levantá-lo do chão quando escorregou na urina, e ainda deitar no chão enquanto a cama ensopada de urina secava. Depois de tudo, precisei animar o Júlio que estava triste por ter tido tantas vezes incontinência. 


Quando tudo pareceu mais calmo e ele finalmente dormiu à noite, para amenizar a sua dor, eu chorei baixinho e pedi à Deus que tudo acabasse logo, e olha que sou cética, porque eu vejo o Júlio sentir dor e isso me dói. Hoje, Júlio parece melhor, e o que ontem eram ventos de desespero e desalento, hoje são ventos de esperança.

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Um comentário:

  1. Que barra Paulinha. Mas ter alguém com quem contar assim é tão precioso. Sei que somos esclerosados, mas de muita sorte por ter com quem contar. Vocês me inspiram. Já moram no meu coração. Um beijo pra vocês (ps. Mantém esse blog mulher!! Por favor haha)

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